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Joanilson: "Os candidatos ao Senado fazem um ping-pong perverso com o povo"


O advogado Joanilson de Paula Rêgo, que entre outros cargos foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB-RN), apresenta seu nome, nas eleições deste ano, como pré-candidato a senador. Com experiência de outras disputas eleitorais, Dr. Joanilson acredita que contará com o segundo voto do eleitor para conseguir vitória nas urnas. Na semana passada, o pré-candidato foi entrevistado pelos jornalistas Cefas Carvalho e Roberto Lucena. Confira a entrevista:

Cefas Carvalho: O senhor é pré-candidato ao Senado. Temos aí três líderes políticos (José Agripino, Garibaldi Filho e Wima de Faria), chamados de caciques, na disputa. Qual a avaliação que faz desse cenário?
Eu vejo isso por partes, mas no final é sempre a mesma coisa. É um ping-pong maldito para o povo que vai de governador para senador, de governador para senador, como se houvesse legitimidade nessa permanência que contraria a temporariedade da vida eletiva. Tudo que caracteriza a realeza, e não a democracia, acontece com essas três candidaturas anacrônicas, sem razão de ser, que surpreende e afronta qualquer sentimento de mudança verdadeira. A perpetuação dessas pessoas é ofensiva à democracia. Eles, no passado, podem até ter prestado serviços à população, mas, agora, eles estão usurpando, praticando uma apropriação indébita de mandatos que são do povo.

CC: Sua candidatura, a de Sávio Hackradt (PCdoB) e até mesmo de Hugo Manso (PT) podem oxigenar a disputa ao Senado?
Os três candidatos ao Senado que eu enxergo com mais legitimidade são Hugo Manso, Sávio Hackradt e, modéstia a parte, eu. Esses é que deveriam estar sendo apontados pelo povo como “os nossos candidatos”. Os outros três são os candidatos da perpetuação, da conservação e reação às mudanças que têm de ocorrer. Os políticos profissionais, carreiristas políticos, que nunca tiveram outra ocupação. Eles tentam a reeleição a qualquer preço.

Roberto Lucena: E como enfrentar as forças dos políticos com essas características?
Com a força do povo. Digo muito que é com as bênçãos de Deus e a força do povo, mas não quero usar o nome de Deus em vão, por isso fico somente com a força do povo. A força do segundo voto. Um voto é dado por gratidão, por esquema partidário ou mesmo por paixão. O povo sabe que precisa de mudanças, mas sem traumas. O povo está querendo dar um voto na mudança e outro no conservadorismo. Muitas pessoas dizem que votam em mim e em Garibaldi, ou em mim e Wilma ou em Agripino. Isso é uma realidade que não podemos mudar. O povo sabe o que faz e o que quer. Acho que o enfrentamento dessa trindade, supostamente vitoriosa, tem que ser feita no segundo voto.

CC: Qual o projeto do PSDC para as eleições desse ano? Com quem vai se coligar?
Uma senhora, lá no Alecrim, me disse: “Dr. Joanilson, o senhor abriu a consciência do povo para as injustiças do sistema”. Eu disse: “Não, senhora, eu só lutei contra as oligarquias”. Ela respondeu: “Dr., mas as oligarquias são o sistema”. Ou seja, ela me deu uma aula. Antes de sair, ela disse mais: “O senhor é o melhor candidato a senador, se continuar sozinho. Se o senhor se juntar, não sei se continua sendo o melhor”. Essa advertência ficou em mim.

RL: Mas para a Assembléia Legislativa, como fica?
Possivelmente, nas chapas proporcionais, faremos aliança. Uma das alianças pré-definidas é com o PHS. Com o PSL também. Com o PTC possivelmente. Esses partidos se unirão. Eu estou com um pensamento universal a cerca da necessidade do Rio Grande do Norte se apresentar no Senado através de uma pessoa que procurará Pedro Simon (PMDB), Paulo Paim (PT), Cristovam Buarque (PDT), Eduardo Suplicy (PT). Tirando pouquíssimas pessoas do Senado, a verdade é que todos eles participaram das eleições de Renan Calheiros, Sarney. Todos estão envolvidos até a medula com esse pessoal. Aqui [no RN], é que eles vestem a roupa de anjo, mas na realidade, são todos do mesmo esquema. É necessário alguém que represente o povo.

RL: O senhor afirma que o povo não quer uma mudança drástica, por isso mesmo deverá votar em um dos três caciques e o segundo voto deverá ser em outro candidato. Entre Wilma de Faria, José Agripino e Garibaldi Alves Filho, qual seria então o candidato merecedor desse voto?
Sua pergunta está bem formulada, mas eu prefiro falar um pouco sobre a parte boa de cada um deles. Por exemplo, a ex-governadora Wilma sempre procurou caminhar de mãos dadas com partidos progressistas. Isso já é uma credencial positiva para qualquer pessoa. No que diz respeito a Agripino e Garibaldi, destaco o que eles fizeram enquanto governadores. Mas as credenciais políticas do momento, no que diz respeito a doutrina e mudanças essenciais, o erguer de bandeira que justifiquem a aprovação popular, tenho dificuldades de destacar.

RL: Como o senhor analisa a candidatura de Carlos Eduardo a governador?
No início, quando ele surgiu com discurso de independência, fiquei confiante. Esperava inclusive que os candidatos a senador seriam Sávio e eu. Mas surgiu Álvaro Dias dizendo que o segundo voto é em Garibaldi. Então assim, com esse projeto familiar, eu não participo. Com esses cálculos de conveniência, em mesas de conta de dinheiro ou tempo de televisão, não sento.

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